Consumo conspícuo: a raiz do consumismo

Atualizado: 8 de mar. de 2019

Consumismo não afeta apenas o bolso dos brasileiros, mas também sua saúde e bem-estar.


Nos últimos anos, os hábitos de consumo do brasileiro têm mudado radicalmente. O conservadorismo no momento da compra parece dar lugar para algo que pode afetar, de forma negativa, a condição financeira de muitas pessoas.


O epicentro do problema

"...o problema é que em sua mente o valor ostensivo do produto tem um peso muito maior e pouco salutar, quando comparado com o julgamento na decisão de compra do consumidor mais racional."

De acordo com pesquisas realizadas pelo Serviço de Proteção ao Consumidor – SPC, a maioria das pessoas realiza suas compras sem nenhum planejamento ou análise dos limites de gastos, o que acaba se tornando um hábito para muitas pessoas.


É nesse contexto que termos como consumo conspícuo ou consumo ostentatório passam a fazer parte da rotina dos brasileiros. Embora pareçam estranhos e um tanto incomuns, se resumem no simples ato e discurso popular da ostentação.


Esse tipo de hábito consumidor é caracterizado pelo propósito de compra ostensivo, ou seja, comprar para aparentar riqueza. O consumidor conspícuo, não é muito diferente de um consumidor comum, pois também realiza suas compras considerando uma escala de hierarquia de valores, o problema é que em sua mente o valor ostensivo do produto tem um peso muito maior e pouco salutar, quando comparado com o julgamento na decisão de compra do consumidor mais racional.


Mas o que é ostentação afinal?

É fato que todos nós compramos produtos levando em consideração uma equação muito simples baseada na relação entre custo e benefício, além de avaliar o benefício e o poder ostentatório que os produtos podem desencadear. Entretanto, essa situação não ocorre do mesmo modo com todos os consumidores.


Para tornar um pouco mais claro a diferença comportamental entre o consumidor mais racional e o consumidor conspícuo, podemos usar como exemplificação a seguinte situação: ao comprar um carro, um consumidor mais racional considera uma série de benefícios principais, tais como: consumo, preço, garantia, manutenção e etc., e no caso de produtos com valores similares, ele escolhe aquele com maior poder ostentatório. Já o consumidor conspícuo, diante das mesmas oportunidades, compraria o carro com o maior poder ostentatório, e desconsideraria os benefícios materiais principais que o produto oferece, optando por valores hedônicos muito mais do que os funcionais.


Especificamente para o consumidor conspícuo, caso o produto comprado apresente mal funcionamento ou falhas técnicas, o problema pode se desencadear e extrapolar a ordem da funcionalidade e atingir dimensões psicológicas do indivíduo, o que por sua vez, irá afetar sua autoestima e o valor percebido.


Ostentar é o ato de tentar modificar a percepção de imagem que uma pessoa tem da outra de forma deliberada, ou seja, influenciar a percepção das pessoas por meio da autopromoção vinculada ao consumo de bens ou serviços .


Ostentar ou não? Eis a questão.

"o consumismo associado a ostentação, impede que o indivíduo perceba seus valores como ser humano, uma vez que estão fortemente associados a posses e a autoafirmação pela aquisição realizada."

Nada contra comprar um carro caro, ou comprar bebidas caras em casas noturnas, contanto que se tenha noção das implicações negativas desse consumo e meios para não o tornar um “pesadelo” de consumo.


Nesse sentido, o mal psicológico muito comum associado ao consumo conspícuo é a falta de autoconfiança, uma vez que o consumidor conspícuo tem como único recurso social o consumo ostentatório. O que também pode ocasionar uma crise de existência, pois não consegue entender a si mesmo como um indivíduo único e com potenciais humanos para oferecer.


Além disso, o consumismo associado a ostentação, impede que o indivíduo perceba seus valores como ser humano, uma vez que estão fortemente associados a posses e a autoafirmação pela aquisição realizada. Isso sem falar que ainda pode ser fonte de exploração social. Mas isso é um assunto para o próximo post.


Até breve!


Tiago Alves Costa - CEO UP-Sollution.

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